O padel está a tornar-se o novo desporto dos negócios?

O padel está a tornar-se o novo desporto dos negócios?

Durante décadas, o golfe ocupou um lugar especial no mundo dos negócios. Uma volta ao campo permitia passar várias horas com clientes, parceiros ou potenciais investidores, criando um ambiente informal onde relações profissionais podiam crescer longe das salas de reuniões.

Mas há um novo desporto a começar a ocupar parte desse espaço.

O padel está a transformar-se num ponto de encontro para empresários, executivos, investidores e profissionais de diferentes setores, combinando exercício, competição e convívio num formato particularmente adaptado ao ritmo atual.

A tendência já é suficientemente evidente para o The Times ter colocado recentemente a questão de outra forma: será o padel o novo LinkedIn? O jornal britânico destacou a crescente utilização da modalidade para networking e eventos empresariais, com empresas como Google, Meta e Goldman Sachs entre as que já participaram neste tipo de iniciativas.

Porque é que o padel funciona tão bem para networking?

Uma das grandes diferenças em relação ao golfe está no próprio formato.

Uma partida de padel ocupa uma parte relativamente curta do dia e coloca quatro pessoas permanentemente próximas umas das outras. Há pausas entre pontos, mudanças de campo e, quase inevitavelmente, conversa antes e depois do jogo.

É competitivo, mas ao mesmo tempo extremamente social.

Além disso, a curva de aprendizagem permite que alguém com pouca experiência consiga participar rapidamente num jogo recreativo. Isso torna mais fácil juntar pessoas com diferentes níveis de prática e até diferentes posições dentro de uma empresa.

O resultado é um ambiente menos formal, onde hierarquias profissionais podem perder importância durante algumas horas.

É precisamente esta vertente que está a atrair cada vez mais empresas para eventos de padel. No Reino Unido, clubes especializados já recebem eventos corporativos e começam a surgir ligas dedicadas a profissionais de setores específicos.

Em Portugal, o fenómeno já é visível

Também em Portugal existem sinais claros desta ligação entre padel e empresas.

A Corporate Padel League, competição nacional dedicada a empresas e com certificação da Federação Portuguesa de Padel, apresenta precisamente o networking como uma das principais componentes do projeto.

A competição junta equipas de empresas de diferentes setores e regiões do país, promovendo não apenas a vertente desportiva, mas também a criação de contactos e sinergias entre participantes.

É um exemplo de como o padel começa a ocupar um espaço que vai muito além do simples jogo entre amigos.

38 milhões de jogadores e 85.000 campos

A dimensão global da modalidade ajuda a explicar porque é que este fenómeno está a acontecer agora.

Segundo os dados divulgados pela Federação Internacional de Padel em junho de 2026, existem atualmente cerca de 38 milhões de jogadores espalhados por 178 países e territórios.

A rede mundial já conta com aproximadamente 85.000 campos e 27.000 clubes, apoiada por 100 federações nacionais afiliadas à FIP.

São números muito superiores aos de apenas alguns anos atrás e que tornam cada vez mais provável encontrar jogadores de padel dentro de qualquer círculo profissional.

Uma indústria que também atrai investimento

O interesse não termina nos jogadores.

Em 2023, um estudo elaborado pela Monitor Deloitte e pela Playtomic projetava que a indústria mundial do padel poderia atingir um valor de 6 mil milhões de euros em 2026.

O mesmo estudo antecipava cerca de 85.000 campos em todo o mundo até 2026, um número que os dados mais recentes da FIP indicam já ter sido alcançado.

Clubes, fabricantes, plataformas tecnológicas, investidores e operadores imobiliários passaram a olhar para o padel como uma indústria com potencial muito além da prática desportiva.

Dos clubes aos resorts de luxo

Há outro sinal interessante desta transformação.

Os campos de padel estão a aparecer cada vez mais em hotéis e resorts de gama alta, onde passam a fazer parte da experiência oferecida aos hóspedes.

A Condé Nast Traveler destacou esta tendência em 2025, identificando campos de padel em propriedades de luxo na Europa, Estados Unidos, México, Marrocos e outros mercados. Em Portugal, o Pine Cliffs Resort, no Algarve, surge entre os exemplos referidos.

O fenómeno aproxima ainda mais o padel do universo onde tradicionalmente o golfe dominava: turismo premium, clubes privados, lifestyle e relações profissionais.

O novo golfe?

Provavelmente ainda é demasiado cedo para declarar que o padel vai substituir o golfe no mundo dos negócios.

O golfe continua a ter uma longa tradição empresarial e características próprias que dificilmente desaparecerão.

Mas o padel apresenta vantagens que parecem encaixar particularmente bem numa nova geração de profissionais: é mais rápido, social, urbano e simples de integrar numa agenda preenchida.

E talvez a verdadeira mudança nem passe por substituir o golfe.

Pode simplesmente estar a nascer um novo espaço onde negócios começam com uma raquete na mão, continuam junto ao campo e terminam muito depois do último ponto.

Com milhões de novos jogadores, empresas a organizar torneios e clubes a transformarem-se em espaços sociais, o padel já não é apenas um lugar onde se disputam jogos.

É também um lugar onde se criam relações.

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